O risco de incumprimento nos Estados Unidos

Os setores siderúrgico, automóvel e transporte, bens de consumo duradouro, metalúrgico, papel e têxtil apresentam um risco de incumprimento elevado.

Seguro de Créditos - O risco de incumprimento nos Estados Unidos

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  • Aço – Risco elevado

O valor acrescentado da indústria do ferro e do aço vai sofrer uma contração de 15% em 2020. O setor viu-se gravemente afetado pela forte diminuição da procura por parte dos setores automóvel, petróleo e gás. Embora a procura tenha melhorado com a retoma da produção automóvel, mantém-se uma grande incerteza. O subsetor dos produtos petrolíferos está sujeito a uma pressão considerável, decorrente da falta de investimentos na indústria de exploração e produção energética. Prevê-se um aumento dos atrasos e incumprimentos nos pagamentos, bem como um incremento das insolvências, à medida que se dissipem os impactos positivos dos estímulos económicos.

  • Agricultura – Risco médio

Prevê-se que o aumento das receitas com as produções de frutas e frutos secos compense a diminuição de rendimentos com as produções de milho, trigo, algodão e soja. As receitas associadas às produções de aves de capoeira e gado bovino diminuíram mais de 8%. O desempenho setorial viu-se reforçado pelos programas governamentais de assistência alimentar contra o coronavírus. Embora as previsões apontem para uma redução de 2% no valor acrescentado da agricultura em 2020, espera-se uma retoma de mais de 6% em 2021, num contexto de aumento das exportações de soja e milho.

  • Alimentação – Risco médio

O valor acrescentado do setor alimentar vai manter-se estável em 2020. O setor apresenta uma forte concorrência, em especial nos segmentos de distribuição e comércio a retalho. O aumento dos custos das matérias primas e da energia, bem como a mudança nos gostos dos consumidores devido à procura de estilos de vida mais saudáveis, tem um impacto negativo nas margens e na rentabilidade de muitas empresas dedicadas à produção alimentar. Os distribuidores de alimentos que trabalham com restaurantes ou hotéis registaram uma forte diminuição da procura. Os encerramentos de empresas no setor da restauração aumentaram consideravelmente, o que exerceu uma pressão financeira adicional sobre o canal de distribuição.

  • Automóvel e transporte – Risco elevado

Após a propagação inicial do coronavírus no início de 2020, a procura de automóveis diminuiu consideravelmente devido às medidas de confinamento e ao aumento do desemprego, criando problemas de liquidez em toda a cadeia de fornecimento. Os principais fabricantes pararam a produção por várias semanas entre abril e maio. Hoje, os volumes de produção permanecem bem abaixo dos níveis pré-vírus e o fluxo de caixa de muitas empresas mantém-se sob pressão. A incerteza relacionada com a procura futura e a evolução dos surtos constituem riscos para o setor. O crescimento do valor acrescentado da indústria automóvel deve diminuir 27% em 2020. No caso dos transportes, a contração será de 8%. As companhias aéreas reduziram drasticamente o número de voos e os navios de cruzeiro suspenderam as viagens. Espera-se que os atrasos e os incumprimentos aumentem em ambos os subsetores.

  • Bens de consumo duradouro – Risco elevado

O valor acrescentado do comércio a retalho diminuirá 8,5% em 2020. O comércio a retalho de produtos não alimentares tem sentido os impactos negativos dos encerramentos de lojas, da moderação no consumo das famílias e do aumento do desemprego, cuja persistência atrasará decisões compra de eletrodomésticos. O segmento de mobiliário teve alguma recuperação recente decorrente da combinação de fatores como procura reprimida e reformas em casa associadas ao teletrabalho e ao ensino à distância. As empresas com forte presença online têm conseguido manter um perfil operacional sólido. No entanto, devido à concorrência, há um risco de incumprimento considerável.

  • Construção – Risco médio

O crescimento do valor acrescentado do setor da construção deverá sofrer uma diminuição de 6% em 2020, após vários anos de um sólido crescimento, em linha com o desempenho económico vigoroso dos Estados Unidos antes da pandemia. No primeiro semestre de 2020, o total de novas construções diminuiu 14% face ao ano anterior. Essa queda afeta negativamente as projeções para 2021. Ao mesmo tempo, os custos da madeira cresceram 120% em 2020, bem como os custos do trabalho devido à escassez de mão de obra qualificada. A produtividade da mão de obra foi afetada pelos protocolos do coronavírus e muitos projetos foram atrasados ou cancelados. Apesar desses problemas, o mercado imobiliário residencial deverá beneficiar das baixas taxas de juro.

  • Eletrónica e TIC – Risco médio

O valor acrescentado das TIC irá crescer cerca de 4% em 2020. O desempenho das empresas que operam neste setor depende da diversificação das suas cadeias de fornecimento, bem como do impacto dos encerramentos e confinamentos de fábricas nas suas operações de produção e fornecimento. Os prestadores de serviços de cloud, mobilidade e conectividade remota tiveram um bom desempenho. Os retalhistas de produtos eletrónicos com forte presença online também têm sentido uma procura estável, devido ao boom no teletrabalho e da educação à distância. A maioria das empresas de TIC tem tentado preservar a sua liquidez combinando redução de custos com aumento das linhas de crédito.

  • Serviços financeiros – Risco médio

As instituições financeiras estão mais sólidas agora do que durante a crise de 2008. A Reserva Federal norte-americana revelou a sua intenção de apoiar a liquidez nos mercados financeiros a curto prazo.

  • Maquinaria e engenharia – Risco médio

Os protocolos de segurança adicional causaram um aumento dos custos em muitas empresas, num contexto de redução da procura. O valor acrescentado da maquinaria elétrica diminuirá cerca de 10% em 2020 e espera-se um decréscimo de mais 11% no setor da engenharia. Prevê-se que os atrasos e incumprimentos nos pagamentos aumentem junto das empresas que dependem de setores especialmente vulneráveis como o setor automóvel.

  • Metalurgia – Degradação do risco de médio para elevado

O valor acrescentado do fabrico de metais diminuirá 12% em 2020, longe dos crescimentos de 2018 e 2019. O desempenho das empresas metalúrgicas depende muito da força do cliente final. Aqueles que dependem das indústrias automóvel e aeroespacial viram as suas receitas cair drasticamente, aumentando a pressão sobre os lucros. O subsetor de produtos petrolíferos tem estado sob pressão. Espera-se um aumento dos atrasos e incumprimentos nos pagamentos durante os próximos meses.

  • Papel – Risco elevado

As empresas gráficas e os produtores de papel, estruturalmente afetados antes do coronavírus pelo processo de digitalização, viram como as restrições impostas a escritórios, escolas e universidades aceleraram a mudança do papel para o formato digital. Além disso, as empresas cortaram os seus investimentos em publicidade, o que levou a uma queda nos serviços de impressão comercial. O valor acrescentado do setor do papel deverá contrair mais de 5% em 2020.

  • Químico e farmacêutico – Risco médio

O declínio significativo dos preços do petróleo, do subsetor da energia e dos combustíveis pressionou fortemente as margens das empresas no setor químico. As insolvências aumentaram substancialmente neste segmento, principalmente na exploração e produção. Outros subsetores dentro do comércio de produtos químicos continuam a sentir os impactos negativos da deterioração da procura de setores compradores, como a indústria automóvel. Prevê-se que o valor acrescentado dos produtos químicos diminua 4,5% em 2020, enquanto os produtos farmacêuticos terão uma redução de quase 4%.

  • Serviços – Risco médio

O valor acrescentado dos serviços diminuirá cerca de 4% em 2020. A procura nos setores da saúde, educação e serviços governamentais deverá permanecer estável ou até aumentar. No entanto, alguns subsetores como hotéis, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadoras de turismo foram bastante afetados pela acentuada queda da procura. Prevê-se que o valor acrescentado do segmento da hotelaria e restauração caia 17% em 2020. O número crescente de casos de coronavírus em algumas regiões dos Estados Unidos deverá desacelerar a recuperação da procura por viagens e alojamento que começou a sentir-se nos últimos meses com a reabertura da economia. Prevê-se que os empréstimos em incumprimento e as falências aumentem nos segmentos mais afetados. Entre 10% e 15% dos hotéis estão em risco de insolvência.

  • Têxtil – Risco elevado

O valor acrescentado dos têxteis diminuirá mais de 11% em 2020. Os produtores, grossistas e retalhistas já sentiam dificuldades antes do surto do coronavírus devido à forte concorrência e às margens baixas. A deterioração das vendas durante os confinamentos exacerbou a crise no setor e os incumprimentos dos retalhistas têxteis aumentaram fortemente nos últimos meses. Muitos retalhistas estão a tentar recuperar algumas de suas perdas no primeiro semestre baixando os preços, o que aumentará o ambiente competitivo de baixas margens que carateriza o setor.

Fonte: CYC

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