O risco de incumprimento no Brasil

Os setores automóvel, construção, bens de consumo duradouro, eletrónica e TIC, maquinaria, metalurgia, papel, serviços e têxtil apresentam um alto risco de incumprimento.

Seguro de Créditos - O risco de incumprimento no Brasil

Seguro de Créditos - O risco de incumprimento no Brasil

  • Agricultura – Risco médio

Algumas empresas do segmento de distribuição de fertilizantes viram-se afetadas pelo aumento dos custos de importação de agroquímicos, resultante da volatilidade do real face ao dólar, situação que repercutiu negativamente nas margens. Além disso, o sul do Brasil vê-se afetado por uma seca severa. Contudo, uma colheita recorde e as questões em aberto entre a China e os Estados Unidos favorecem os exportadores agrícolas brasileiros, que também beneficiam das baixas taxas de câmbio. 

  • Alimentação – Risco baixo

O setor foi afetado pelo impacto do confinamento na cadeia de fornecimento e logística. Prevê-se que o valor acrescentado contraia 3,5% em 2020, mas que recupere com força em 2011, com valores acima de 7%. 

  • Automóvel e transporte – Risco muito elevado

Tanto a produção como as vendas de automóveis sofreram uma deterioração da procura. Esta situação provocou graves tensões de liquidez e falta de efetivo em muitas empresas. Estima-se que o valor acrescentado do setor automóvel sofra uma contração de 43% em 2020 e não é de descartar que haja um aumento dos atrasos e incumprimentos e das insolvências entre fornecedores e concessionários durante os próximos meses. No setor de transporte, o aumento das entregas de vendas online e a uma boa colheita vão gerar uma forte procura nos próximos meses. 

  • Bens de consumo duradouro – Melhoria do risco de muito elevado para elevado

O consumo privado de bens de consumo não alimentar diminuiu devido ao impacto do coronavírus e a solidez financeira de muitos retalhistas deteriorou-se significativamente. O valor acrescentado dos retalhistas deverá diminuir mais de 4% em 2020. Alguns segmentos beneficiam, atualmente, de um forte aumento dos negócios online, enquanto os centros comerciais voltaram a abrir. As medidas de estímulo às famílias apoiaram o segmento retalhista. Entretanto, o aumento das compras realizadas por consumidores em teletrabalho beneficiou os segmentos de pequenos eletrodomésticos e as marcas próprias. Embora não se preveja um aumento substancial das taxas de incumprimento, o risco de crédito dos pequenos retalhistas sem distribuição online ou com dificuldades de acesso a financiamento bancário é elevado.

  • Construção e materiais – Melhoria do risco de muito elevado para elevado

As margens, muito curtas, geram um forte risco de crédito entre os operadores mais pequenos. A recessão económica irá agravar a situação de muitas empresas, com uma maior deterioração das margens. Contudo, ainda não se registou um aumento substancial das insolvências. As baixas taxas de juros e de inflação estão a apoiar o mercado que procura moradias de maiores dimensões. As famílias estão a desviar as despesas com viagens e entretenimento para a realização de obras em casa. 

  • Eletrónica e TIC – Melhoria do risco de muito elevado para elevado

Prevê-se que o valor acrescentado das TIC estabilize ou diminua ligeiramente em 2020. Após uma desaceleração inicial, as vendas beneficiaram da forte procura de computadores portáteis e artigos de conetividade, já que muitas empresas passaram a trabalhar à distância, uma tendência que se irá manter para lá das medidas de distanciamento social. Contudo, prevê-se um aumento da morosidade das pequenas e médias empresas, afetadas pelo confinamento no segundo trimestre de 2020 e que carecem de apoio financeiro dos bancos.

  • Financeiro – Risco baixo

O setor continua a ser relativamente robusto. Contudo, o aumento dos problemas financeiros tanto para as empresas como para os consumidores devido à recessão económica poderia dar lugar a um maior número de incumprimentos e a condições de empréstimo mais restritivas. Prevê-se que o valor acrescentado do setor financeiro diminua cerca de 3% em 2020.

  • Maquinaria e engenharia – Melhoria do risco de muito elevado para elevado

Espera-se que o valor acrescentado da engenharia diminua mais de 9% em 2020, na medida em que a procura por parte das principais indústrias compradoras diminuiu e o investimento de capital também está em contração. Contudo, os construtores de máquinas nacionais beneficiaram do facto das importações terem aumentado muito devido à desvalorização do real. Uma recuperação das vendas no segundo semestre poderia mitigar a forte contração observada na primeira metade do ano.

  • Metalurgia e aço – Melhoria do risco de muito elevado para elevado

Prevê-se uma diminuição do valor acrescentado da metalurgia, que será superior a 15% em 2020, em resultado da diminuição da procura por parte das principais indústrias compradoras. Contudo, não se verificou ainda um aumento substancial dos níveis de incumprimento e espera-se que o rendimento do setor melhore durante os próximos meses.

  • Papel – Risco elevado

Os produtores de papel viram-se afetados por uma menor procura resultante das medidas de confinamento, da recessão económica e do atual processo de digitalização. Prevê-se que o valor acrescentado do setor contraia 10% em 2020, com aumento dos níveis de incumprimento.  

  • Químico e farmacêutico – Risco baixo

Tanto as empresas químicas como as farmacêuticas melhoraram os seus resultados e as suas margens nos últimos dois anos, com um bom comportamento em termos de pagamentos. A procura de medicamentos crescerá num mercado formado por distribuidores resistentes. Contudo, no segmento dos produtos químicos, a importação de matérias primas está sujeita à volatilidade das taxas de câmbio, em especial no subsetor de agroquímicos. Ao mesmo tempo, a procura por parte das principais indústrias compradoras diminuiu. Espera-se que o valor acrescentado dos produtos químicos diminua cerca de 6% em 2020. 

  • Serviços – Risco elevado

Devido às amplas medidas de confinamento e ao aumento do desemprego prevê-se que muitos segmentos sofram impactos significativos, em especial os hotéis, restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagens e operadores turísticos. Estima-se que o valor acrescentado dos hotéis e serviços de restauração contraia mais de 8% em 2020. O esgotar da liquidez no setor de serviços provocou um aumento significativo dos incumprimentos e das insolvências.

  • Têxtil – Risco muito elevado

Mesmo antes do surto de coronavírus, os produtores, grossistas e retalhistas do setor têxtil já sentiam o impacto de uma concorrência aguerrida, margens estreitas, mudanças no comportamento dos consumidores e aumento da concorrência por parte de novos retalhistas online. O seu desempenho deteriorou-se ainda mais devido à queda das vendas durante o confinamento e ao aumento do desemprego. Prevê-se que o valor acrescentado do setor têxtil sofra uma redução superior a 15% em 2020, após ter contraído em 2018 e 2019, o que já está a provocar um aumento dos incumprimentos e das falências. 

Fonte: CYC

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