A Crédito y Caución prevê um aumento das insolvências na China, num contexto onde o conflito estrutural com os Estados Unidos permanecerá sem resolução.

A Crédito y Caución prevê que a desaceleração económica da China continue em 2019, com um aumento dos riscos de correção para a economia.

Não está claro se as atuais negociações comerciais com os Estados Unidos conduzirão a um acordo sobre tarifas e comércio. Mesmo que isso aconteça, o conflito económico estrutural entre os Estados Unidos e a China continuará sem resolução“, explica o mais recente relatório divulgado pela empresa líder em seguros de crédito na Península Ibérica.

A crescente influência e projeção internacional da China, com grandes investimentos diretos em diferentes mercados, é motivo de preocupação. Algumas economias emergentes na Ásia e em África estão a travar os investimentos da nova Rota da Seda de modo a evitarem uma dependência económica unilateral. Por seu lado, a Austrália, a União Europeia e o Japão partilham a preocupação dos Estados Unidos quanto ao respeito pela propriedade intelectual, à transferência forçada de tecnologia e à postura pouco cooperante da China em organizações multilaterais.

O ano de 2018 registou uma diminuição do crescimento na China. O investimento, enquanto força impulsionadora chave, abrandou devido às medidas para reorientar a economia para o consumo privado, que se mantém forte, e a redução do endividamento financeiro das empresas. Embora o risco de uma crise financeira sistémica continue a ser baixo, o endividamento das empresas não financeiras aumentou para 164% do PIB, com um peso especialmente elevado na indústria pesada. O crescimento das exportações chinesas diminuiu substancialmente no quarto trimestre motivado por uma menor procura mundial e pelo conflito comercial sino-americano.

A Administração enfrenta o difícil equilíbrio entre apoiar o crescimento económico e garantir um processo de desalavancagem financeira ordenado. Agora que as exportações estão a diminuir e as políticas de estímulo estão a desacelerar a redução da dívida, poderia ser mais difícil evitar uma desaceleração mais rápida devido aos desequilíbrios financeiros e a um significativo excesso de capacidade em alguns setores”, refere o relatório.

O défice fiscal do governo central mantém-se em níveis geríveis. A situação financeira dos governos regionais, que desempenharam um papel central no investimento, é agora muito mais tensa.

A Crédito y Caución prevê que as insolvências na China aumentem mais ainda em 2019 como consequência da desaceleração económica e do reequilíbrio em curso na economia no sentido dos serviços. Mesmo nos setores com melhor desempenho, as pequenas e médias empresas chinesas irão sofrer limitações no acesso a financiamento. As empresas altamente endividadas em setores com excesso de capacidade, como o alumínio, cimento, carvão, aço, metalurgia, construção e comércio de produtos básicos, estão muito vulneráveis. O relatório recomenda cautela na hora de operar com empresas nestes setores, mesmo que sejam companhias cotadas em bolsa ou empresas estatais com maior apoio de bancos e acionistas. Os setores de electrónica, têxtil ou pneus que dependem das suas vendas para os Estados Unidos estão também particularmente vulneráveis.

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Fonte: Crédito y Caución