A Argentina solicitou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para reprogramar os vencimentos da sua dívida de 57 mil milhões de dólares. Os primeiros reembolsos deveriam ocorrer em 2021.

A Argentina pediu na quarta-feira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para reprogramar os prazos de vencimentos da sua dívida de 57 mil milhões de dólares (cerca de 51,4 mil milhões de euros), anunciou esta quarta-feira o ministro das Finanças, Hernan Lacunza. Os primeiros reembolsos do empréstimo contraído em 2018, deveriam ocorrer em 2021. Mas o agravamento das condições económicas do país levou Lacunza, a avançar com uma nova negociação com o FMI.

Lacunza, que foi nomeado há pouco mais de uma semana e arranca para a liderança das Finanças argentinas com uma negociação difícil em mãos. “A Argentina propôs ao FMI iniciar um diálogo para reescalonar a sua dívida”, anunciou o ministro em conferência de imprensa. As declarações foram feitas dias após a deslocação a Buenos Aires de uma missão técnica do FMI, na sequência do agravamento da crise no país, devido a um revés eleitoral do Presidente, Mauricio Macri.

Recorde-se que no passado dia 11 de agosto, o peronista de centro-esquerda Alberto Fernandez surgiu como o favorito para as presidenciais de 27 de outubro, após uma folgada vitória nas primárias, com 47% dos votos, à frente de Macri, que obteve 32%.

Duas crises em 2018

A Argentina foi afetada por duas crises monetárias em 2018, com uma desvalorização de 50% da sua moeda. Nessa altura, pediu ao FMI um empréstimo de 57 mil milhões de dólares (cerca de 51,4 mil milhões de euros). Em troca, o país comprometia-se a adotar medidas de austeridade orçamental e a reequilibrar as suas contas. O reembolso da dívida deveria começar em 2021, mas os sinais de degradação económica do país, a reboque do fantasma de uma recessão mundial iminente, estão a complicar as contas da Argentina.

Além da renegociação com o FMI, Hernan Lacunza anunciou também que o Governo vai alongar os prazos de vencimento de sua dívida de curto prazo com investidores institucionais e procurar fazer o mesmo com os títulos de médio e longo prazos. Em Washington, o FMI afirmou em comunicado que se mantém ao lado do país “nestes tempos difíceis” e que está a analisar as operações sobre a dívida anunciadas pelas autoridades para avaliar o seu impacto.

Nos últimos dias, os mercados mostraram sinais de grande nervosismo, vendo ressurgir o espetro de um incumprimento, depois de o país já ter enfrentado essa situação em 2001, com uma grave crise económica e social. O anterior ministro das Finanças argentino, Nicolas Dujovne, demitiu-se no passado dia 17, após uma semana de turbulência nos mercados, que viu o peso perder mais de 20% do seu valor e a bolsa cair mais de 30%.

Fonte: Expresso