Empresas recorreram às linhas de crédito por prevenção e têm dinheiro parado nos bancos

Fluxo de fundos financeiros revela que as empresas “financiaram” os bancos no último ano e não o contrário, sinalizando que o dinheiro das linhas de crédito está parqueado em contas bancárias.

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As empresas portuguesas estão a endividar-se mais desde o início da pandemia, mas também a aumentar os ativos que detêm, em especial os depósitos. A tendência — verificada na mesma altura em o Governo lançou garantias de Estado para melhorar as condições de financiamento através de linhas de crédito bonificadas — sinaliza que os gestores estarão a agir de forma preventiva e a manter o dinheiro nos bancos.

As necessidades de financiamento das sociedades não financeiras agravaram-se para 3,34% do PIB no ano terminado em junho de 2020, o que compara com 2,59% no final do ano passado, de acordo com dados do Banco de Portugal, que começou recentemente a publicar informações sobre as relações entre os vários setores na ótica de credor e devedor.

As ligações do fluxo de fundos (obtidas através da diferença entre as transações em ativos financeiros e as transações em passivos) revelam que as empresas “financiaram” os bancos e não o contrário. Ou seja, os ativos que as empresas têm nos bancos (como numerários e depósitos, mas também ações e outras participações ou empréstimos) cresceram mais que os passivos (empréstimos, ações e participações, débitos e créditos ou títulos de dívida).

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Este processo acontece apesar do agravamento do endividamento das sociedades não financeiras. No fim do período em análise, em junho, situava-se em 730,1 mil milhões de euros, mais 11,7 mil milhões que em dezembro de 2019, sendo que desde então continuou a crescer até aos 736,6 mil milhões.

Confinamento e medo levam empresas e famílias a poupar

Dados da SPGM indicam que mais de 50 mil empresas recorreram às linhas de crédito com garantia mútua criadas para ajudar a tesouraria das empresas e a normalização da sua atividade, na sequência da pandemia de Covid-19. Então, onde foi o dinheiro? Uma explicação possível é que esteja do lado do ativo das empresas, mas parado nos bancos. Ou seja, que os gestores tenham pedido crédito (que tinha um prazo e limites máximos) para prevenir eventuais problemas de liquidez, mas que não o tenham ainda usado e este esteja parado nos bancos.

Mas este valor é também explicado pelo facto de as famílias terem reforçado o dinheiro que têm nos bancos, graças à diminuição do consumo durante a pandemia, mas também pelo efeito psicológico que o medo do futuro tem nas decisões de investimento das famílias. A capacidade de financiamento dos particulares situava-se, no fim de junho, em 4,02%.

Com a taxa de poupança a atingir máximos desde 2014, os depósitos dos particulares ultrapassaram os 70 mil milhões de euros e o investimento em produtos de poupança do Estado reforçam desde fevereiro. Ainda assim, as amortizações de certificados têm sido superiores ao montante dos investimentos pelo que o saldo ainda é negativo com mais dinheiro a sair do Estado para as famílias do que o contrário.

Fonte: Eco

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